O Mar que Alimenta a Alma: A Tradição da Tainha Ocupa a Praia Central de BC
De 1º de maio a 31 de julho, nossa praia central se transforma no cenário de uma das tradições mais bonitas do litoral catarinense: a safra da tainha. É o momento em que a rotina da cidade desacelera para dar espaço ao som dos remos e ao trabalho em equipe dos nossos pescadores artesanais.
Se você costuma caminhar pela praia central de Balneário Camboriú nesta época do ano, com certeza já percebeu uma movimentação diferente na areia. Pequenos barcos de madeira, redes coloridas estendidas e os olhos atentos dos pescadores voltados para o horizonte azul. É a tradicional safra da tainha que começou oficialmente no dia 1º de maio e vai até o dia 31 de julho. São três meses onde a modernidade da nossa cidade abre espaço para uma das culturas mais bonitas do nosso litoral.
A arte do cerco com canoas de garapuvu
diferente da pesca industrial, na nossa região a estrela é a pesca artesanal. Os homens do mar ainda usam as tradicionais canoas de um tronco só — muitas feitas de madeira de garapuvu —, movidas inteiramente no braço, no compasso dos remos.
Quando o vigia, do alto do morro ou da praia, avista o "cardume ponteado" (o brilho prateado das tainhas na água), ele dá o sinal. A canoa entra no mar num ritmo frenético para cercar o peixe, enquanto a comunidade na praia se junta para ajudar a puxar as pesadas redes de volta para a areia. É um espetáculo de união e harmonia que emociona quem passa.
Um apelo pela harmonia no mar
mas para que essa tradição continue viva e segura, a colaboração de todos é fundamental. Durante este período da safra, manter as embarcações — como lanchas e motos aquáticas (jet skis) — bem longe das áreas de cerco na orla é um dos maiores desafios dos pescadores.
A prefeitura e as colônias de pesca reforçam o pedido para que os navegantes respeitem os limites da praia e a sinalização dos ranchos. O barulho dos motores afugenta os cardumes e os equipamentos podem rasgar as redes artesanais, prejudicando o sustento de muitas famílias. A convivência pacífica entre o lazer e o trabalho é o que faz de BC um lugar especial.
Cultura viva nos ranchos de pesca
a nossa praia central está repleta de pontos de cultura viva: os tradicionais ranchos de pescadores. Entre os espaços mais conhecidos e queridos da nossa comunidade, destaca-se o rancho da selma, um verdadeiro ponto de encontro de histórias, sorrisos e da identidade da barra e da nossa orla. Visitar esses locais e comprar o peixe direto do pescador é valorizar o comércio local e manter acesa a chama dos nossos antepassados.
No ecossistema andré flores, acreditamos que olhar para o futuro sem esquecer de onde viemos é a chave para o verdadeiro desenvolvimento. Que tal aproveitar os próximos dias para acompanhar um "lanço de tainha" e apoiar a nossa comunidade tradicional?
Erika/Duarte
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